Eu consegui me dominar para fazer meu corpo dançar, mas o violino não me deixou dominá-lo, e sou um eterno admirador, pois meu coração palpita ao ouvir seus dós, rés, mis, fás, sols, lás, sis...
Ponho as mãos no teu corpo musical Onde esperam os sons adormecidos. Em silêncio começo, que pressente A brusca irrupção do tom real. E quando a alma ascendendo canta Ao percorrer a escala dos sentidos, Não mente a alma nem o corpo mente. Não é por culpa nossa se a garganta Enrouquece e se cala de repente Em cruas dissonâncias, em rangidos Exasperantes de acorde errado.
Se no silêncio em que a canção esmorece Outro tom se insinua, recordado, Não tarda que se extinga, emudece: Não se consente em violino fado. José Saramago
Surgiam notas finas e estridentes Que pareciam juras de eterno amor Em meio à tristeza e à ternura. Quando o sol brilhar pela manhã, A música ninguém saberá Senão aqueles que juram amor Ao sonido estridente e choroso, Exprimido pelas cordas do violino, Ao ser acariciado pelas mãos hábeis Do músico que ousa retirar Uma sonata e juras de amor Das cordas de tão sonoro instrumento, Quando este se põe a chorar. Michael Jullier Gama Alves
O violino exala: o som, as notas O violinista sola: sozinho no centro O violino e o violinista não nasceram um para o outro Nasceram, sim, um do outro.
Pego na minha caneta e ligeiro rabisco Uma poesia para ambos. Não é certo que saberei as palavras, Assim como o músico sabe as notas.
Procuro alguns vocábulos no pensamento Vou o mais longe e trago de lá os que preciso.
Ah! Se Eu fosse aquele violinista Ah! Se Eu soubesse todas as palavras Ah! Se a melodia das letras surgisse para mim Na hora em que decido escrever meus poemas.
O violino se cala: sem som, sem notas O violinista não sola: apenas ouve os aplausos. E termino o elogio feito aos DOIS que são UM.
Uma lágrima se solta ... sem ventos, sem brisas ... se volatiliza num gemido de violino! Dormes. Por dentro da luz ténue de silêncios finos, silenciados na concha tumular que cobre todas as pedras desalinhadas da calçada.
Hoje caminho na Avenida. Piso a passos precisos os trilhos por onde tantas vezes viajaste sózinho dentro de mim. E sozinho em ti, perdido num labirinto. A nebulosa esmaecida teima em perpetuar-se à minha frente. Persistente, a lágrima cristalizada se solta, rola extemporânea. Avança, morde e beija a boca. Tem o sabor salgado da Saudade e, contudo, liberta, traz-me de regresso à realidade.
Refulgentes, os raios iluminados da manhã, traçam nos paralelepípedos novos desenhos constelados. Das ruas pardacentas, aos poucos, a espasmos, a Primavera brota. Estrangula o vazio e a melancolia nostálgica. Emerge em sons. Eternas sintonias Genésicas. Na igreja em frente, toca o sino. As ruas recobrem-se, serenas, com as cores brancas do Seu manto Divino. ( Desconheço o autor)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
“Se você toca o violino, posso descobrir quem é você.”
Daja Yavasharian
Não precisamos entender para gostar, ninguém sabe traduzir um violino. Fernando Mato Grosso