Ponho as mãos no teu corpo musical Onde esperam os sons adormecidos. Em silêncio começo, que pressente A brusca irrupção do tom real. E quando a alma ascendendo canta Ao percorrer a escala dos sentidos, Não mente a alma nem o corpo mente. Não é por culpa nossa se a garganta Enrouquece e se cala de repente Em cruas dissonâncias, em rangidos Exasperantes de acorde errado.
Se no silêncio em que a canção esmorece Outro tom se insinua, recordado, Não tarda que se extinga, emudece: Não se consente em violino fado. José Saramago
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